Home CULTURA Diversos Cia Teatro Balagan apresenta Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam

Cia Teatro Balagan apresenta Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam

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Encenação de Maria Thaís e texto de Luís Alberto de Abreu chega ao Rio dia 13 de fevereiro no Sesc Ginástico

A peça foi ganhadora do prêmio Shell 2016 na categoria Música e foi indicada em mais duas categorias – Iluminação e Figurino. Recebeu indicações ao Prêmio APCA, na categoria Dramaturgia e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Direção, Iluminação, Figurino e Espetáculo de Grupo.

Estreia dia 13 de fevereiro, às 19h, no Sesc Ginástico, no Rio, Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam,espetáculo da premiada Cia Teatro Balagan, de São Paulo. Serão 10 apresentações, sempre de quarta-feira a domingo.

A encenação tem como tema central a Guerra. Não o confronto direto e mortal que caracteriza a maior parte dos conflitos espalhados pelo mundo.  Mas a guerra que pressupõe e deseja o embate com Outro – o Inimigo.Partindo do Cangaço, dos movimentos de resistência ao Estado, dos conflitos  não oficiais conhecidos como revolta, ou banditismo, que sempre foram fortemente reprimidos – e que findaram, em geral, com a decapitação e exposição das cabeças de seus líderes -, a investigação se delineou em torno da tríade Guerra-Festa-Fé e  se desdobrou em outros vertentes que tecem e nutrem o tema central:  a vingança, os conflitos parentais, o nomadismo, a cerca, o ethos guerreiro, o valor da palavra, entre outros.

Do cangaceiro e do samurai, da mitologia hindu e da indígena, da cabra de João Cabral e da cabra de Dionísio, do pandeiro e da rabeca, da dança dos caboclinhos e dos cantos das Caixeiras do Divino, dos estudos biomecânicos e dos arquétipos animais do Kempô nascem os corpos e as vozes – dos atores e das matérias da cena – que narram as pequenas crônicas que compõem o espetáculo. Cabras é narrado, cantado, tocado e dançado por um bando de dez atores, bando de cabras.

O coro/bando se sobrepõe à noção de protagonista. Assim, cada ator transita por tantos lugares quanto são as acepções dadas à própria palavra cabra: animal, gente, homem, mulher, bandido, polícia, diabo ou as expressões (e mitos) populares como “cabra macho”, “cabra safado”, “cabra marcado”, “cabra da peste”, a “cabra cabriola”, “a puta cabra”, e tantas outras. Como afirma a diretora Maria Thaís “para nós o termo evoca a potência transgressora do próprio animal, que não respeita cercas pois, como o poeta João Cabral de Melo Neto nos diz quem já viu cabra que fosse animal de sociedade?”

Tendo realizado três temporadas de sucesso na capital paulista, a primeira no Centro Cultural São Paulo, a segunda no Espaço dos FOFOS e a terceira no Teatro João Caetano, Cabras, o sétimo espetáculo da Cia, participou também do Festival de Teatro de Curitiba; do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Teatro, no SESC/Santos; do Festival Nacional de Presidente Prudente e do Tang Xianzu International Theater Festival em Fuzhou na China. Além disso, realizou apresentações no Itaú Cultural; participou do Circuito SESI, em Campinas e São José do Rio Preto; fez itinerância pelo interior de São Paulo via PROAC edital pelas cidades de Mogi das Cruzes, Araras, Bauru e Piracibaba e realizou apresentações no SESC Birigui.

Sobre o espetáculo 

A composição dramatúrgica, criada por Luís Alberto de Abreu e Maria Thaís, é formada por vinte pequenas crônicas escritas por Luís Alberto de Abreu, organizadas no espetáculo em quatro (04) partes (cada uma contendo cinco textos narrativos):

Guerra – a guerra parental (em que as tensões entre grupos familiares, como um fogo de monturo que, aparentemente apagado, pode reacender-se ao menor vento), do ethos guerreiro, da arma que espera a hora que vai matar.

Guerra-Fé – a guerra inscrita nos corpos – marcados pela escravidão do negro, pela dizimação cultural do índio, pela submissão do mestiço – daqueles que persistem e revelam outras visões de mundos.

Guerra-Festa – a guerra que permite a inversão do mundo – ou a criação de um mundo sem fronteiras – no qual a sua dimensão simbólica e mítica se traduz em dança, poesia, música e vestimenta;

Guerra – Fogo, Paz, Fogo – a inevitável alternância entre guerra-paz-guerra, dos cabras “que não se espantam com a aspereza das pedras”.

Em Cabras o espaço cênico/lugar é formado por um piso-terra, o sol vermelho e um único tronco de árvore  e se transforma a partir da presença dos atores, do desenho da cena, dos figurinos, objetos, instrumentos, do desenho da luz e, principalmente, dos espectadores, que são pontos de convergência da cena. Os figurinos, diferenciados cromaticamente a cada bloco, se transformam através de sobreposições a uma roupa-base que remete à forma da calça usada no Cangaço, agregando a ela os elementos guerreiros, religiosos, festivos, etc.

O repertório musical e sonoro, investigado e praticado durante todo o processo de pesquisa, é resultado do trabalho de muitas mãos – direção, atores, do músico Alício Amaral, professor de rabeca durante todo o processo de investigação – e, na versão final do espetáculo, contou com a Direção Musical de Dr Morris. Construída a partir de dois instrumentos principais – a voz e a rabeca – a sonoridade é formada por cantos tradicionais (Brasil, México, Colômbia), cantos que remetem ao Cangaço, além de músicas especialmente compostas para o espetáculo.

Balagan é uma palavra presente em diversos idiomas como o russo, o turco, o árabe e o hebraico e pode significar teatro de feira, baderna, bagunça ou confusão. Essas definições provocam o projeto artístico da Cia, na atitude criativa e aludem a vozearia, a coexistência – em fricção – de múltiplas vozes.

Desde seu surgimento os trabalhos da Balagan assumem uma dimensão pedagógica que abrange artistas e espectadores na medida em que propõem longos períodos de pesquisa e experimentação, nos quais o trânsito entre a criação em sala de ensaio e os momentos de abertura pública conjugam dois pólos da prática cênica: o fazer e o ver. É neste trânsito que as perspectivas teatrais possíveis, suscitadas pelo contato artesanal com as matérias escolhidas, se revelam.

Em 1999, a Cia estreou seu primeiro espetáculo, Sacromaquia. Desde então foram criadas outras cinco obras: A Besta na Lua (2003/2004),Tauromaquia (2004/2005/2006), Západ – A Tragédia do Poder (2007), Prometheus – A Tragédia do Fogo (2011 – em repertório) e Recusa (2012 – em repertório). Os espetáculos mereceram indicações e premiações da crítica especializada,  circulando por todo o Brasil e, em 2014, a Cia Teatro Balagan foi reconhecida como  Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de São Paulo (junto a um conjunto de vinte e dois (22) teatros independentes da cidade) por suas atividades de valor cultural referencial para a construção da identidade paulistana.

FICHA TÉCNICA

Com  André Moreira, Deborah Penafiel, Gisele Petty, Gustavo Xella, Kleber Lourenço, Maurício Schneider, Natacha Dias, Rita Gutt e Val Ribeiro.
Direção Maria Thaís
Assistente de Direção Murilo De Paula
Texto Luís Alberto de Abreu
Dramaturgia Luís Alberto de Abreu e Maria Thaís
Cenografia e Figurino Márcio Medina
Direção Musical Dr Morris
Iluminação Aline Santini
Montagem e Operação de Luz Michelle Bezerra e Felipe Tchaça
Design Gráfico Regina Cassimiro
Produção Caseiras Produções

DURAÇÃO: 120 minutos
RECOMENDAÇÃO ETÁRIA: 12 anos
Local: SESC Ginástico
Av. Graça Aranha, 187 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20030-003
Telefone: (21) 2279-4027
Datas: de 13 a 24 de Fevereiro de 2019
Ingressos: R$ 30 – Ingressos são vendidos na bilheteria do teatro de terça a domingo, das 13h às 20h
Quarta a sábado 19h
Domingo 18h
Lotação: 513 lugares

Foto Carlos Araujo

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