Home CULTURA Diversos Abandono e falta de dinheiro ajudaram a queimar 200 anos de acervo do Museu Nacional

Abandono e falta de dinheiro ajudaram a queimar 200 anos de acervo do Museu Nacional

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O museu deveria receber por ano R$550 mil reais, entretanto a 3 anos recebia apenas 60% desse valor, o que dá um valor de R$ 27.500 mensal, Em junho foi assinado um acordo com o BNDES que previa um investimento de R$21 milhões, entretanto não houve tempo hábil para que o repasse do dinheiro fosse feito. Entre os ítens que faziam parte do financiamento estava um projeto e execução de medidas de prevenção de incêndio com execução de plano de prevenção bem como a adoção e adequação do mesmo com colocação de portas corta-fogo, sprinklers e tantas outras medidas que podem ajudar a conter sinistros dessa natureza.

O Comandante do Corpo de Bombeiros declarou que houve falta de água nas mangueiras de incêndio por cerca de 30 a 40 minutos, o que ainda não foi esclarecido é o motivo sobre a falta de água nas mangueiras, haja visto que a CEDAE declarou que havia água nas redes da região, entretanto talvez não na pressão necessária para que pudesse atender as mangueiras de combate a incêndio dos bombeiros.

O Museu Nacional vinha sofrendo uma sistemática falta de repasse de verbas por parte da união dede 2013, pois o orçamento para manutenção era de R$550mil, mas este valor foi sendo reduzido ano após ano como pudemos apurar, sendo:

2013 – R$520mil    média mensal R$43.333,00

2014 – R$417mil    média mensal R$34.750,00

2017 – R$257mil    média mensal R$21.417,00

2016 – R$415mil    média mensal R$34.583,00

2017 – R$346mil    média mensal R$28.833,00

2018 – R$54mil (até abril deste ano)     média mensal R$13.500,00

Como pode ser constatado nem o que era pra ser o valor mínimo para manter a estrutura já instalada do Museu Nacional era repassado, quanto mais algum valor extra para investir em melhorias ou aprimoramento do mesmo.

Alex Kellner, diretor geral do museu ainda declarou que na festa de 200 anos do museu (que ocorreu em junho)não foi conseguido a presença de nenhum ministro de estado, mesmo o ministro da cultura ou da casa civil, como poderia se esperar, não apareceram segundo o mesmo isso demonstrava ainda a maneira como a museosologia e a história do Brasil eram tratados, tendo em vista que o mesmo era a mais antiga instituição museológica do Brasil e com o maior acervo da América Latina.

O acervo do museu contava com peças únicas como o trono do Rei de Daomé (peça doada pelo monarca a D. João VI) o crânio da mulher mais antiga da América (com 11,6 milhões de anos), uma múmia arrematada por D João VI, esqueletos de dinossauros como a preguiça gigante e outros, contando com o primeiro exemplar de um dinossauro encontrado no Brasil em Minas Gerais, esse ainda foi desmontado pois a base que sustentava o mesmo foi infestada de cupins e estava em processo de recuperação. De acordo com seus registros o Museu Nacional contava com o maior e mais importante coleção paleontologia da América latina com mais de 56 mil exemplares e 18,9 mil registros.

Mesmo contando com todo esse acervo e a história do Brasil de muito mais de 200 anos não foi suficiente para sensibilizar o governo e ajudar a manter o prédio e a história abrigada nele.

foto: Roberto Lemos

 

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