Home MÚSICA Elephantus apresenta conexões entre música e cosmos, e se sobressai com EP de estréia

Elephantus apresenta conexões entre música e cosmos, e se sobressai com EP de estréia

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Músicos revigoraram o cenário stoner nacional com seus elementos distintos e característicos

Elephantus é um Duo de Stoner/Doom, formado no final de 2019 em Blumenau/SC, que mistura elementos diferenciados (e, em primeiro momento, um tanto inusitados) na sonoridade de seu EP de estréia.

O novo material foi gravado ao vivo e em uma única noite no Estúdio Mansão Wayne e traz uma variedade de elementos (uns mais típicos, outros mais incomuns ao gênero) que preenchem de forma sólida e atrativa suas quatro faixas.

Em certos momentos sua sonoridade remete à uma versão menos psicodélica e viajante, porém, mais pesada, de Samsara Blues Experiment, indo de encontro a ritmos do Nordeste brasileiro, demonstrando assim todas suas influências de Sepultura à Zé Ramalho. Faixas como o single “No Rastro da Serpente” mostram essa conexão entre a sonoridade oriental e a música brasileira (remetendo aos ritmos nacionais chamados “Baião” e “Repente” no refrão e na temática). O uso do pedal “Ravish Sitar” pelo guitarrista e vocalista Marcelo Maus, além de sua conexão com as culturas  oriental e nordestina, cria esse elo na sonoridade da banda.

Composto de duas faixas instrumentais mais atmosféricas e duas com vocais, o EP homônimo de estréia da Elephantus promete revigorar o cenário stoner nacional com seus elementos distintos e característicos, enquanto o single “No Rastro da Serpente” já vem colhendo elogios em mídias nacionais especializadas.

Conversamos com a banda sobre processo de composição. influências musicais, como o duo está lidando com a pandemia de Covid-19 e outras curiosidades. Confira!

De onde vem o nome Elephantus?   O que levou a banda a esse nome?

Queríamos um nome que remetesse ao divino e místico, mas, que também tivesse uma carga naturalista, que personificasse o verdadeiro Deus que é a natureza. O elefante encaixou bem por ser um animal sagrado em várias culturas, principalmente nos países da Ásia Meridional, Sudoeste Asiático e África. Lugares que também, musicalmente, inspiram bastante o som que queremos alcançar com a Elephantus. Transcrevemos;elefante; para o latim pra ficar mais geral Elephantus.

Como que a banda surgiu?

Tudo começou quando nós, Mamede (bateria) e Marcelo (guitarra/vocal), por acaso, nos conhecemos final de 2017 e descobrimos que morávamos na mesma rua. Dali já surgiu uma amizade e uma conexão incrível. Depois de muitos rolês, curtidas, e tentativas de projetos com outras pessoas, eu (Mamede) bati na tecla, e insisti muito, com o Marcelo de que deveríamos ser um Duo, por causa da nossa sintonia, afinidade e etc. Então, a gente tava discutindo ideias há um curto tempo, quando de repente o Marcelo resolveu comprar o bendito pedal que emula som de Sítar que ele tanto falava, ali foi o pontapé inicial e em seguida ele conseguiu a guitarra dos sonhos também. Isso deveria ser do começo pra metade de Outubro de 2019. No final de Outubro fomos pra estúdio ensaiar/fazer jam e saímos de la com a ideia de estrear num evento final de Novembro.

A banda lançou recentemente um EP de inéditas. Como foi o processo de composição e gravação do material? 

A gente compôs as quatro músicas em um mês, para podermos estrear, após isso, fomos lapidando alguns detalhes nas canções, em uma acrescentamos uma parte final, mudamos letras, até o título de uma delas, mas, no geral, era o que havíamos feito inicialmente.

Gravamos em Fevereiro de 2020, mas em Novembro e Fevereiro a gente conseguiu engatar uma boa sequencia de shows em Blumenau, Floripa, São José… E isso foi um fator muito importante, pois já estávamos com as músicas na mão, na pegada boa. Então em fevereiro, um amigo do Marcelo, o Derick, viria lá de Santo André/SP para Blumenau se despedir do Marcelo, pois ele estava de mudança para a Europa.

Sabíamos que o Derick possuía um estúdio e é um produtor com uma ótima experiência e equipamentos, então, aproveitamos a visita e comentamos que queríamos gravar e estávamos prontos. Então ele veio lá de SP com o carro cheio dos equipamentos pra gravar a gente. Gravamos 100% ao vivo e em uma noite lá na Mansão Wayne Estúdios, entreos dia 19 e 20, curiosamente no dia do aniversário do nosso Riffmaster Tony Iommi! 

Foi super exaustivo, pois foram horas e horas de montagem e passagem de som até a gravação efetivamente, fizemos 3 takes de cada som e foi isso, depois escolhemos a melhor versão de cada e o Derick mixou e masterizou à distância. Dedicamos, para a mixagem e masterização, muitas horas e noite em claro (principalmente o Marcelo) nos reunindo virtualmente, brigando e comemorando muito a cada música concluída, pois estamos felizes demais com o resultado final, é indescritível. A arte da capa ficou por conta do grande Rômulo, de Curitiba/PR, que tocava bateria com o Marcelo na antiga banda deles, o Marte.

O último EP lançado foi muito bem recebido. Podemos esperar single, ep ou full album em breve?

O single foi bem recebido demais e agora o EP foi e está muito, muito bem recebido, está tendo uma repercussão muito boa, estamos muito felizes e surpresos com tudo isso! Devemos muito disso ao nosso grande amigo Matheus Jacques, da Bruxa Verde Produções lá de Floripa, que abraçou nosso projeto e espalhou pra vários contatos nacionais e internacionais. Por causa dele já tivemos algumas excelentes resenhas nacionais e até Espanha, EUA, e Áustria. Em breve vamos voltar a nos encontrar para retomar ensaios e começar à compor coisas novas, temos algumas ideias engatilhadas já. O Marcelo agora mudou de casa e agora teremos nosso próprio estúdio, estamos muito ansiosos para nos reencontrarmos, ensaiar, compor, curtir, tocar e tudo mais!

Suas letras passam uma mensagem muito forte, de onde vêm as ideias para as composições? Existe alguma composição que é mais especial para vocês?

Nesse nosso primeiro EP temos duas faixas instrumentais e duas com letra. A inspiração para as letras e ambiente sonoro, são, basicamente, a condição da vida a partir do natural e animal em meio ao cosmos. Todas são especiais para nós, todas as quatro que estão no EP formam um ciclo fechado pra gente, é como se todas fossem uma única obra.

Quais as bandas e fontes artísticas que inspiram o som do Elephantus?

Nosso alicerce musical, pro peso, das bandas classiconas são o Black Sabbath e o Sepultura. A gente curte muito o cenário underground Brasileiro, do Metal ao psicodélico, muita banda foda que inspira a gente, nós acompanhamos bastante e procuramos sempre fortalecer, as vezes a inspiração nem sempre é na sonoridade, mas no feeling na atitude e na energia também, como a própria cena hardcore e grindcore daqui que a gente curte muito. Existe uma entidade aqui no Brasil chamada Zé Ramalho da Paraíba, o poeta do abismo; que nos inspira muito tanto musicalmente quanto na filosofia das letras. Toda a galera boa aqui da nossa cena Brasa, do Rock chapado brasileiro e gringo também. E por último, e nenhum pouco menos importante, é a nossa paixão por músicas folclóricas tanto da Ásia quanto do Nordeste Brasileiro e África.

Como que vocês estão lidando com a pandemia de covid 19? Que tipo de interação a banda está tendo com o público nesse momento de quarentena?

Estamos fazendo nossa parte na medida do possível, temos a possibilidade de ficar em casa e só sair para o mercado. De resto, estamos acompanhando alamentável situação do “governo” que já estava liderando o país ao abismo econômico e social e agora, mais do que nunca, levando todos ao túmulo muito mais rápido. Quanto à interação com o público, estamos tentando interagir pelas redes sociais,postando coisas com um certa frequência, mas, como ainda somos um projeto bem recente, ainda estamos descobrindo como trabalhar com redes sociais, mas em paralelo temos contado com o apoio da Electric Funeral Records, que lançou nosso trabalho nas plataformas digitais, e com a Collapse Agency, que faz a nossa assessoria de imprensa.

Quais os planos para 2020?

O primeiro plano é torcer pra que a pandemia acabe (de verdade), paralelo à isso, continuamos na divulga do nosso EP de estreia de todas as formas possíveis e pretendemos mobiliar o nosso estúdio/QG para podermos compor e ensaiar, nesse

momento estamos juntando nossas moedas para poder comprar equipamentos. Hahaha. Esperamos poder cair na estrada assim que possível! No mais é isso, gostaríamos de agradecer demais o espaço dado e o apoio e também gostaríamos de disponibilizar um link pro pessoal conferir nosso EP, resenhas, entrevistas e muito mais

Confira o EP “Elephantus”: https://spoti.fi/2Nf7nma

Leia aqui a resenha do EP debut da banda: https://www.rarozine.com.br/review-o-debut-do-elephantus/

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