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Beija-Flor aposta alto em dois dos maiores campeões de sua história

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Carnavalescos Alexandre Louzada e Cid Carvalho dão detalhes do trabalho em dupla no barracão da azul e branco

Competitiva, a Beija-Flor de Nilópolis tradicionalmente cruza a Marquês de Sapucaí em busca da vitória na Praça da Apoteose, ao fim da Quarta-Feira de Cinzas. Em 2020, no entanto, a vontade de vencer está atrelada a um outro desejo: o de resgatar a autoestima de sua comunidade após uma colocação desfavorável no ano anterior. Para garantir que o sentimento do componente seja revitalizado, a escola convocou dois dos carnavalescos mais prestigiados de sua história: Alexandre Louzada e Cid Carvalho. Juntos, os dois somam metade dos campeonatos da azul e branco e viveram períodos com resultados comparáveis aos do lendário Joãosinho Trinta.

Na volta para casa, Louzada e Cid desenvolvem o enredo “Se essa rua fosse minha”, uma leitura mística das ruas. A convite da Beija-Flor, a dupla fez um balanço sobre o trabalho dos últimos meses no barracão da Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio, e projeções para o desfile que se aproxima.

Leia a entrevista abaixo.

Como está sendo a “volta para casa” de vocês, desde que retornaram à Beija-Flor?

Alexandre Louzada: De todas que eu passei, a Beija-Flor foi a escola que mais me fez chorar quando eu saí. Eu me sentia apegado à comunidade, às pessoas e ao estilo da Beija-Flor. Na minha volta, percebi uma escola diferente: mais empresarial, organizada. Eu saí da Mocidade com vários arranhões, que acabaram se tornando públicos, e o seu Anísio foi a primeira pessoa a me ligar. E não foi para me convidar para vir para a Beija-Flor, foi para saber se eu precisava de ajuda. A Beija-Flor é algo que as pessoas respeitam mesmo quando não gostam. Fora daqui, eu era um ferrenho defensor da honra da escola. Só passa a gostar da escola quem realmente convive e compreende o porquê da expressão “Família Beija-Flor”.

Cid Carvalho: A diretoria achou que estava na hora da Beija-Flor beber naquela velha e boa fonte de antigamente (dos anos 2000 para cá). É o que a gente está fazendo: recuperando o estilo Beija-Flor de fazer carnaval, na grandiosidade, no visual, e acima de tudo resgatando uma comunidade que ficou chateada e sofreu muito com a colocação do último carnaval. É um carnaval de muitos resgates.

Vocês criaram uma divisão de tarefas? Como os trabalhos foram conduzidos?

Alexandre Louzada: Criamos entre nós uma divisão de tarefas. Decidimos colocar a Beija-Flor em primeiro lugar porque ambos dependemos desse sucesso para as nossas carreiras e a nossa credibilidade perante o Carnaval. (A ideia é) Mostrar que nós não envelhecemos de pensamento. Resolvemos nos dar bem e isso perdura. Faltam poucos dias para o desfile e a gente não teve sequer uma discussão. Tivemos debates para aconselhar outras pessoas, gerir o trabalho, colocar em prática o nosso sonho.

Cid Carvalho: Temos sete campeonatos dentro da Beija-Flor, estão juntando pessoas que conhecem a alma e a essência da escola, grandiosa, e está dando super certo. É uma dupla que está afinada, não tem vaidade. Estamos colaborando muito pra ver a Beija-Flor na ponta de cima da tabela.

A escola conta hoje com a presença do Gabriel David, que na condição de dirigente tem colocado a inovação como uma das prioridades do Carnaval da Beija-Flor. Como tem funcionado a parceria entre ele e os carnavalescos?

Alexandre Louzada: Brinco com o Gabriel que o meu estilo não é um estilo conservador. Eu estou mudando porque a gente precisa acompanhar as tendências. Há uma crise mundial que atinge nosso país e nossa cidade também, um momento em que as pessoas não estão se importando com a cultura e não estão investindo dela. Vai chegar o dia em que terei o enredo ideal para poder fazer tudo o que está na cabeça do Gabriel.

Cid Carvalho: A inovação já tem sido um pedido do Gabriel e da escola desde 2018, quando a escola obteve êxito com o campeonato. Em 2019, também optamos por uma proposta inovadora de estética, mas não conseguimos o mesmo resultado. Estamos focados em reverter esse cenário. A transformação tem ocorrido mais especificamente em relação as alegorias. E a Beija-Flor sempre foi uma escola de vanguarda, estamos recuperando isso. Fizemos uma Beija-Flor mais limpa nas sua formas, com uma leitura mais clean, bem definida, mais clara. Isso faz parte dessa modernidade. E é lógico que teremos tecnologia e efeitos que vamos usar para brilhantar ainda mais essa forma de fazer Carnaval.

Vocês mencionam que querem trabalhar pela autoestima do componente da Beija-Flor. Qual é o valor de um campeonato neste processo de valorização? E qual a importância dessa possível vitória para o futuro?

Alexandre Louzada: Estou torcendo muito pela Beija-Flor. E não pela minha permanência, mas pela escola. Se eu voltei, é lógico que passou pela minha cabeça encerrar (a carreira) aqui, ficar e talvez me transformar em outra coisa que não seja carnavalesco. Eu não tenho realmente a vaidade com a Beija-Flor. Nas outras escolas, você precisa se impor como o carnavalesco. Aqui, não. A comunidade é mais respeitosa (do que em outras escolas) com quem ocupa o cargo. Ela lamenta o erro, mas não quer colocar o erro nas costas de ninguém. Eu passei por escolas em que você só presta quando acerta. A Beija-Flor é na alegria e na dor.

Cid Carvalho: Juntos, Alexandre e eu temos sete campeonatos conquistados pela Beija-Flor. A escola juntou pessoas que conhecem sua alma e essência grandiosas. Está dando super certo. Somos uma dupla afinada, sem vaidade. Estamos colaborando muito pra ver a Beija-Flor na ponta de cima da tabela.

Foto Eduardo Hollanda

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