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Máscaras de Carnaval de Bezerros (PE) ganham exposição no Rio

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CNFCP/Iphan inaugura duas exposições dia 13 de fevereiro: celebra o Carnaval com máscaras de Papangu de Bezerros (PE) e reabre Galeria Mestre Vitalino com pérolas da xilogravura

No próximo dia 13 de fevereiro, às 17h, o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), abre ao público as exposições Terra do Papangu: as máscaras de Carnaval de Bezerros (PE) e Xilogravura que inauguram em grande estilo a programação de 2020 do Museu de Folclore Edison Carneiro. A entrada é franca. As máscaras estarão à venda.

Situada no Agreste de Pernambuco, a cidade de Bezerros é conhecida como a terra dos Papangus. Vale lembrar que o Carnaval de Bezerros é o terceiro em popularidade em Pernambuco, depois de Recife e Olinda. Durante a festa, o domingo de Carnaval é dedicado a um disputado e tradicional Concurso de Papangu. Parte do programa Sala do Artista Popular (SAP), a exposição Terra do Papangu: as máscaras de Carnaval de Bezerros (PE) é estrelada por máscaras, bem como registros do trabalho dos artesãos, pesquisado recentemente pelo antropólogo Túlio Lourenço, do CNCFP/Iphan.

O público poderá conferir em Terra do Papangu: as máscaras de Carnaval de Bezerros (PE) a diversidade aplicada na produção do objeto.  As máscaras são feitas de papel maché ou de papel colé (papietagem), que é colocado sobre um molde de gesso e  em seguida retirado e pintado de branco, para então o artesão colorir com tinta, imprimindo seu estilo. Além de fazer a diversão no carnaval de Bezerros, elas se tornaram objeto decorativo: são produzidas pelos artesãos em tamanhos maiores, para enfeitar paredes, ou em tamanhos menores, para servir como ímã de geladeira, chaveiro, souvenir ou quadros pequenos.

Principal personagem do carnaval em Bezerros, o papangu passou por diversas transformações ao longo de sua história secular. Há muitas  versões que remontam à origem e ao aparecimento da máscara no Carnaval. No caso do papangu, o que sempre o caracterizou foi o fato de que a fantasia cobria a pessoa por inteiro, escondendo todas as partes do corpo, para que ela não fosse identificada. Garantindo assim o anonimato, o folião saía pelas ruas da cidade no carnaval, sozinho ou em grupo, assustando e brincando com outros passantes. Conta-se que os escravizados também se mascaravam e era a oportunidade de entrar na casa grande. De início, as máscaras eram feitas com papelão que embrulhava charque.
“A gente diz que papangu não tem sexo. É feito os anjos. Você não sabe se é homem ou se é mulher. Ele vai disfarçar a voz, o andar, tudo o mais, você nunca sabe quem está por trás daquela máscara”, conta a artista Josy Santos.

Além disso, os papangus entravam nas casas para brincar e comer. A principal iguaria da culinária local era o angu. Diz-se que daí vem o nome do personagem: papa angu.

De volta às atividades, a Galeria Mestre Vitalino (fechada desde 2013 para reforma) traz a mostra Xilogravura, coletiva com obras de Mestre Noza, Stênio Diniz, J. Borges e Ciro Fernandes, para citar alguns. São parte dos 17 mil itens da coleção do museu, acervo que começou a ser formado em 1968, ano da inauguração do CNFCP/Iphan.

“Privilegiamos neste momento selecionar obras de artistas do Cariri Cearense, ou seja, Juazeiro e Crato, bem como criações de grandes nomes das cidades de Condado, Caruaru e Bezerros, em Pernambuco. Desta maneira, também se dá um diálogo com a exposição de máscaras”, destaca Beth Costa, Chefe do Setor de Pesquisa do CNFCP/Iphan.
Incorporada como bem cultural associado em 2018, quando a Literatura de Cordel foi registrada pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, a xilogravura foi escolhida como tema da exposição de reabertura da Galeria Mestre Vitalino em razão dos 20 anos da instituição do Registro do Patrimônio Imaterial. Mais do que ilustração, a arte da xilogravura era uma forma de oferecer, por meio de uma imagem, uma sinopse do texto de cordel.

Posteriormente consolidou-se como expressão independente, com a projeção nacional e internacional de xilogravadores expondo seus trabalhos em espaços culturais, museus, galerias. Daí sua presença ampliou-se para os mais diversos suportes, desde capas de livros, discos, azulejos, até a abertura de novelas. É um pouco dessa trajetória rica de personagens e histórias que a mostra traz a público.

Durante o período da exposição, que vai até o próximo mês de junho, serão oferecidas oficinas com xilogravadores. O público terá a oportunidade de aprender na prática sobre esta arte, que consiste em talhar uma imagem na madeira com um instrumento cortante, passar uma fina camada de tinta sobre o relevo e pressionar um papel branco, de modo a transferir para este a imagem.

Serviço
Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179.
Telefone: 21 3826-4434
Exposição Terra do papangu: máscaras do Carnaval de Bezerros (PE)
Inauguração: 13 de fevereiro, às 17h
Período: 13 de fevereiro a  15 de março de 2019
Dias e horários:
Terça-feira a sexta-feira, das 11h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h
Local: Sala do Artista Popular / CNFCP / Iphan

Exposição Xilogravura
Inauguração: 13 de fevereiro, às 17h
Período: 13 de fevereiro a junho de 2019
Dias e horários:
Terça-feira a sexta-feira, das 11h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h
Local: Galeria Mestre Vitalino/ CNFCP
Apoio: Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec)
Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto de Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan)
Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179.
Telefone: 21 3826-4434

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