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Meu Funeral serve seu “Tira-Gosto”, segundo EP da banda

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Trio entrega canções inspiradas por hardcore, punk e ska

Pulsante e irônico, intenso e satírico, o EP “Tira-Gosto”, da banda Meu Funeral, chega para encerrar 2019 como um retrato desse ano – um caos ao qual somente sobreviveremos com irreverência. O trio entrega seu segundo EP com quatro faixas embaladas por referências do hardcore, punk e ska, mas incorporando também reflexos da música pop nacional – de Papatinho a Baco Exu do Blues, de Anitta a Emicida. Essa mescla de sonoridades já está disponível para streaming nas principais plataformas de streaming e chega acompanhada de um vídeo ao vivo para a canção “94”.

Ouça “Tira-Gosto”: http://smarturl.it/MeuFuneralTiraGosto

Assista à session

Confira o faixa-a-faixa abaixo

Meu Funeral é um contrassenso. Por trás do nome macabro, a sonoridade é rápida, instigante, com letras que refletem o caos urbano sem cair em uma narrativa pesada. O peso vem das cordas enérgicas do baixo de Dan Menezes e guitarra nervosa de Pepe, em contraponto ao vocal malemolente do vocalista Lucas Araújo. O resultado são faixas de cerca de dois minutos que refletem sobre a tristeza generalizada (“Ninguém Mais Ouve Ska”), convivendo com diferenças (“94”), mediocridade (no single já revelado “Queimando a Mufa”) e a passividade diante da sociedade atual (“Eu Tô Meio Podre”) – tudo servido com leveza e descontração. Nas músicas do Meu Funeral, os clichês do indie rock se misturam à cadência do reggae, indo de provocações a respeito e empatia.

“Em termos de sonoridade, o EP representa a banda abraçando um pop mais amplo, indo irresponsavelmente além dos limites do estilo punk e hardcore. Isto é um reflexo do mergulho que fiz em todos os sons e nomes que fazem o pop nacional atual”, explica Lucas Araújo.

Essa guinada é claramente perceptível pela estrutura do projeto, que foi registrado com o renomado engenheiro de som Jorge Guerreiro, que pilotou as gravações de Dead Fish, Pitty, Matanza e outros grandes nomes do rock nacional. Se por um lado, “Tira-Gosto” é uma obrigatória evolução em relação ao EP de estreia (“Demo”, de 2018), por outro o trabalho foi norteado pela manutenção de uma estética crua, seca e direta – uma característica já associada à banda.

“Uma marca do Meu Funeral é a honestidade das mensagens e a simplicidade com que são transmitidas. Este EP contém mais um conjunto de canções que contam histórias do dia-a-dia de uma pessoa comum, ordinária, com alegrias e derrotas que fazem a vida de um brasileiro trabalhador comum. Essa abordagem abusa da ironia e do bom-humor, mas não de um jeito bobo: são um recurso para tratar de outra vertente bem forte no trabalho da banda, que é o engajamento político. Então dá pra dizer que é um retrato sob a ótica de alguém que pensa e localizado no espaço e no tempo, ou seja, o Brasil de 2019 e o mar de merda em que nos encontramos”, completa o vocalista.

O  EP “Tira-Gosto” vem para somar a uma trajetória que já chama atenção no cenário independente. Meu Funeral surgiu de conversas entre Lucas e Dan, ambos nomes já conhecidos na cena de Niterói e do Rio de Janeiro. A banda nasceu da proposta de compor canções que colocassem o dedo na ferida e não tivessem mais que dois minutos. Com a falta de disponibilidade imediata de Menezes para o projeto, Araújo se uniu a outros parceiros e gravou o EP “Demo” em formato ao vivo e em estilo do-it-yourself, completamente autoproduzido. O guitarrista Pepe foi recrutado já para o show de lançamento do trabalho no Teatro da UFF e logo em seguida chegou ao Circo Voador, com Meu Funeral abrindo para o Dead Fish. Posteriormente, Dan se uniu à banda, que começou a produção de “Tira-Gosto” no início de 2019.

Todas as canções são assinadas pelo vocalista Lucas Araújo. Jorge Guerreiro realizou a gravação, mixagem e masterização, além da co-produção ao lado da banda. A exceção é para o single “Queimando a mufa”, que foi masterizado por Joe LaPorta (Beatles, David Bowie, Foo Fighters, Against Me) em Nova York.

“Tira-Gosto” já está disponível nas plataformas de streaming e a live session, no canal de YouTube da banda.

Ficha técnica

Todas as canções

Letra e música – Lucas Araújo

Coral em “Ninguém Mais Ouve Ska” – Alexandre Rozemberg, Bruno Castro, Gustavo Caldas, Caio Paranaguá, Iuri Salvador, Thais Monteiro, Thainá Garmendia

Gravado e mixado por Jorge Guerreiro no Melhor do Mundo Studios (RJ),  exceto “Queimando a Mufa” (masterizada por Joe LaPorta no Sterling Sound – NY/EUA). Masterizado por Jorge Guerreiro. Produzido por Meu Funeral e Jorge Guerreiro

Vídeo: filmado, editado e dirigido por Bruno Baketa | Produzido por Bruno Baketa e Dan Menezes

Capa: Lucas Araújo

Design: Dan Menezes

Produção Executiva: Dan Menezes

Faixa-a-faixa por Lucas Araújo

1 – Ninguém Mais Ouve Ska: É o relato de um rapaz ranzinza (no caso eu mesmo) reclamando das mazelas das sociedade. Inspirada por experiências pessoais ou coisas inconvenientes que assolam o mundo moderno. Em uma conversa meio desencontrada, falei algo e um amigo respondeu “achei que você tava falando que ninguém mais ouve ska”. Fiquei com isso na cabeça. O ritmo que atualmente lembra surf e good vibes tem em sua história a união e o protesto como tema recorrente e daí surgiu o refrão pra esse monte de reclamações aleatórias.

2 – 94: 94 é mais uma canção de amor dedicada a minha “cônje”. Certa vez fomos a um show no Circo Voador onde tocaram várias bandas, entre eles a finada Ventre, de amigos tão queridos, que eu queria muito que ela visse ao vivo. Ela curtiu  show da Ventre, mas após entorpecer-se com um cigarrinho do capeta, acabou curtindo mais o show do Barro, artista fodão de Recife. Acabei usando esse episódio pra exemplificar como somos diferentes e por isso nos completamos, apesar de hoje eu ouvir muito mais Barro do que ela. É uma música bem pessoal que relata de forma bem sincera como me sinto em relação ao nosso namoro e parceria. A analogia com o futebol surgiu meio sem ter porquê também, a música tem uns dois anos a mais que esse hype em que o futebol está atualmente – acho até que uma parte do nosso público nem era nascida em 1994!

3 – Queimando a Mufa: Vivemos tempos de Instagram, onde todos têm a obrigação de mostrar que são felizes o tempo todo. Ao mesmo tempo a quantidade de diagnósticos de depressão é gigantesca… A conta não bate. Acrescente as pessoas burras, fascistas e preconceituosas que se acham fodões… Então a música é para assumir nossas limitações, nossa mediocridade e tudo bem não ser a pessoa mais foda do mundo, porque ninguém é.

4 – Eu Tô Meio Podre: Esta eu escrevi em um momento que cheguei em casa de um trabalho pesado (uma montagem de palco para um evento, 36 horas trabalhando direto, carregando peso e dirigindo Kombi) e minha TV tinha quebrado. Tudo o que eu queria era ver um filme e relaxar, mas me fodi sem TV em casa. Após 2 meses de trabalho eu não tinha tempo pra compor, ler nem nada… Essa doeu um pouco pra escrever, mas é um relato pessoal de uma experiência vivida e que valeu. Para pagar os boletos e o alcoolismo eu sigo fazendo montagens esporádicas do mesmo tipo, mas continuo lendo e escrevendo constantemente.

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