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Centro de Folclore comemora 200ª mostra da Sala do Artista Popular

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Fundado há 36 anos, com perfil biográfico da obra de Jota Rodrigues, célebre artista do cordel no Brasil – Inauguração será dia 28 de novembro, às 16h!

A literatura de cordel foi reconhecida pelo Iphan em 2018 como Patrimônio Cultural Brasileiro. Obras de Jota Rodrigues estarão à venda no Museu de Folclore Edison Carneiro para arrecadar fundos para recuperar telhado do espaço cultural que o artista criou em Nova Iguaçu, destruído por chuva de granizo em outubro deste ano

O poeta pernambucano Jota Rodrigues (morto ano passado aos 83 anos) foi um multiartista – cordelista, músico (estudioso da música popular brasileira) e artista plástico. Era também especialista em medicina popular, cultivava ervas e fazia elixir para os mais diferentes males. Sua incrível trajetória – do menino pobre e analfabeto até os 8 anos, que nasceu no município de Águas Belas, no semiárido de Pernambuco, a patrono de diversas bibliotecas na Baixada Fluminense – será recontada, a partir do dia 28 de novembro, quando será inaugurada às 16h a exposição Jota Rodrigues: o verso e a vida, que vai tomar conta da Sala do Artista Popular no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP-Iphan). A exposição pode ser conferida até 8 de dezembro, de graça, no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete.

Jota deixou um legado imenso – inclui mais de 400 folhetos de cordel, xilogravuras, fotografias, entrevistas gravadas em áudio e vídeo, discos, novelas e até roteiro de filmes. Parte destes registros compõem a mostra, sob curadoria dos antropólogos Ricardo Gomes Lima e Ana Carolina Nascimento. Outro mérito da exposição Jota Rodrigues: o verso e a vida é comemorar a 200ª edição da Sala do Artista Popular (SAP), 36 anos depois da inauguração deste espaço, em 1983, justamente com a exposição Jota Rodrigues: folhetos, romances/literatura de cordel.

Serão apresentados ao público e colocados à venda folhetos de cordel de sua autoria, uma antologia publicada em livro, uma caixa para colecionadores com 250 títulos (os últimos exemplares impressos pelo próprio artista) e ainda camisetas e bastidores em madeira com tecidos impressos com suas xilogravuras. Também integram a mostra manuscritos, xilogravuras, ferramentas de trabalho, fotografias, gravações e os objetos que Jota Rodrigues reuniu ao longo de mais de oito décadas em suas atividades na música, na medicina popular e na poesia.

No dia da inauguração foi lançado o livro “Arte, Poesia e seus (en) cantos – Literatura de cordel nos territórios culturais “(Editora Areia Dourada, SP, 2019, 248 págs), organizado pelas historiadoras e pesquisadoras Sylvia Nemer e Elis Regina Barbosa Angelo, que reúne trabalhos de professores, pesquisadores e poetas sobre a produção de literatura de cordel no Rio.

A literatura de cordel foi reconhecida pelo Iphan em 2018 como Patrimônio Cultural Brasileiro.

A influência do pai violeiro e a do primeiro ofício, guiando um cego que memorizava versos e cantava de porta em porta, foram decisivas para a arte de Jota Rodrigues. “Aquilo foi me envenenando de uma tal maneira que o meu caminho era só aquele mesmo, não tinha outra coisa que me dominava”, contou. Mas à vontade de criar histórias se impunha a barreira de não saber ler e escrever. Foi o  poeta cego que o incentivou a se alfabetizar, aconselhando-o a catar pedaços de carvão ou tijolo e riscar nas calçadas, copiando o formato das letras.

“Como Jota nunca teve uma educação formal, se alfabetizou sozinho, e cometia erros de grafia e métrica, terminou sendo rechaçado pela maioria dos cordelistas. Pelo mesmo motivo, nunca conseguiu publicar numa editora. Ele tinha 12 anos quando compôs seu primeiro cordel, mas só 27 anos depois, ao comprar um prelo, pôde imprimir seus folhetos, que vendia nas feiras e praças” conta Ricardo Gomes Lima.

Em 2008, Jota ganhou o Premio Culturas Populares do Minc, atual Secretaria Especial de Cultura. Com o dinheiro construiu um pequeno centro cultural na sua casa, em Nova Iguaçu, onde reuniu suas grandes paixões, literatura de cordel, ervas medicinais e música popular. Na sala de música, reuniu sua coleção de livros e discos, enciclopédias e dicionários, uma vitrola, chapéus com que se apresentava e instrumentos musicais. Na sala dedicada à medicina popular, expôs alguns preparados em garrafadas, fotografias de bancas de ervas e raízes, livros sobre o assunto e cartazes impressos com o anúncio de seu trabalho e explicações sobre os princípios de seu entendimento sobre o corpo humano.

A sala dedicada à literatura de cordel é o maior espaço do Centro. Lá reuniu folhetos de cordel impressos prontos para venda, separados por título e classificados em assuntos: ‘tragédia’, ‘social’, ‘política’, ‘saúde’, ‘futebol’, ‘religião’, ‘cantores’, ‘educação’, ‘infantil’. Ali Jota organizou uma lista em que relacionava sua produção escrita entre 1946 e 2008 (apesar de ter continuado escrever depois desta data), somando 408 folhetos de cordel de 8 páginas  (todos em sextilhas e septilhas), 44 romances (como chama os folhetos de 16 a 56 páginas), 14 folhetos de cordel infantis, 5 novelas, com 10 9 a 180 capítulos e 5 fil mes. As novelas eram apresentadas nas palestras que fazia nas universidades com projeção de slides.

“Depois de sua morte, a família continua mantendo o espaço cultural, um dos poucos da Baixada, recebendo as turmas de escola e especialistas em cultura popular para pesquisar no acervo – assim como Jota fazia. Mas depois de uma chuva de granizo, que destruiu o telhado do espaço no mês passado, toda a coleção está espalhada pela casa da família. No momento, sua família tenta conseguir verbas para consertar o telhado e reabrir o espaço”, conta Ana Carolina Nascimento.

É um pouco do legado dessa “vida em versos” que será apresentado nesta exposição.

Sala do Artista Popular (SAP)
A SAP foi criada em 1983, com o intuito de ser um espaço de exposições de curta duração, voltado para difundir e comercializar as obras de artistas e comunidades artesanais.  O catálogo de cada exposição é desenvolvido a partir de pesquisa etnográfica e documentação fotográfica realizada pela equipe do CNFCP. Em decorrência da divulgação e do contato direto com o público, abrem-se oportunidades de expansão de mercado e da produção para esses artistas e comunidades.

Serviço:
Exposição Jota Rodrigues: o verso e a vida
Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179.

Telefone: 21 3826-4434
Período: 28 de novembro a 8 de dezembro de 2019

Dias e horários:
Terça-feira a sexta-feira, das 11h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h
Local: Sala do Artista Popular / CNFCP

Realização:
Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec)
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto de Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan)

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