Home CULTURA Diversos A 12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa,transcorreu com manifestos em defesa da paz

A 12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa,transcorreu com manifestos em defesa da paz

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A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), realizam a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, começando com um café da manhã, no CIB – Clube Israelita Brasileiro, também em Copa. Por voltas das 11h seguiram rumo ao posto 6, para a concentração. A  caminhada começou pontualmente às 13h. E durante todo o trajeto, foi emoldurada por cantorias, danças e batuques.

Com apresentação, Mãe Mirian de Oyá e Pai Renato de Obaluaiyê, apresentando os grupos e os cânticos dos Afoxés, sem falar no animadíssimo Ogan Kotoquinho. Com o slogan: ‘Independente da sua fé, o respeito deve prevalecer” – Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR, destacou a mobilização de outros setores, como a maçonaria, os escoteiros que vieram pela 1ª vez com uma delegação. Contou pela primeira vez com a presença do lideranças religiosas internacionais, com os pastores americanos Dr Keith Jennings, Rev Timothy Mcdonald III, Drª Charlene Sinclair – com uma perspectiva cristã sobre a ótica das lutas antirracista nas Américas. Também com Arabá Agbaye Olu Isese de Ilè Ifè (Sacerdote supremo de Ifá na Nigéria).

“Eu, e milhões de Afro-Americanos, estamos preocupados com o aumento do assédio, intimidação, ódio, fala e atos de violência contra membros individuais de religiões afro e o vandalismo de locais de culto, incluindo a queima de templos e a profanação de símbolos afro-religiosos. Devemos defender juntos a tolerância e a liberdade religiosas e fazer parte de uma nova frente global unida contra o racismo e o fanatismo, a fim de afirmar nosso desejo por um mundo onde todos sejam iguais em dignidade e em direitos.”, alegou  Keith Jennings.

A Caminhada tornou-se nacional, recebeu representantes de outras regiões, vindos da Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e outros. Registrou em torno de 70 mil pessoas. Recebeu Marinete da Silva  e Luyara Santos (mãe e filha de Marielle Franco), Bendita da silva, Pastor Marcos Davi, Alessandra Ristovic (consulado americano) Toninho Geraes, Silvio Tendler, Carlos Minc, Marcelo Calero, diversos representantes da comunidade judaica, outras lideranças religiosas como Frei Tata, Makota Celinha do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira – CENARAB, que trouxe uma trupe de religiosos de BH. Presença ilustre do Diácono Nelson Águia, CEBI de Campo Grande, a querida Vó Maria, APNS Agentes de Pastoral Negros, entre outros.

Além de intelectuais como Cristina Warthm, da editora Pallas, que inclusive acabou de lançar o livro: “Marchar não é Caminhar” , que levanta e analisa as interfaces políticas e sociais das religiões de matrizes africanas no Rio, contra os processos de intolerância religiosa e o racismo no Brasil, e chega no momento em que diversos terreiros vêm sendo atacados e destruídos em nome de um Deus. Só no Rio de Janeiro, há cerca de 200 terreiros que estão sob ameaça. A CCIR registrou no 1º semestre um aumente de 120% de casos, comparado ao ano passado.

Destaque para a caracterização do O Green Man – O Fantástico Guardião das Florestas e de todos os seres. Forma orquestrada pela União Wicca do Brasil (UWB), mostrando um pouco da cultura e ao mesmo tempo protestando quanto aos desmatamentos, queimadas e destruição do meio ambiente. Representantes da casa Pai Benedito D”Angola, vieram paramentados com vestuário branco e cocar na cabeça no tom verde. Além disso, as escolas de samba Estação Primeira de Mangueira e Grande Rio também vieram com representantes. Vale lembrar que o enredo das duas escola pontuam intolerância. Outra novidade deste ano foi que adeptos do candomblé usaram cocares de penas na abertura da caminhada, remetendo aos animais da Amazônia que devem ser preservados.

O Movimento MUDA, criou um cordão de abre alas, com 22 crianças com pinturas no rosto, representando os animais da flora amazônica, seguidas de placas com frases reflexivas sobre o tema – Natureza, Nosso Sagrado! “Porque, para nós, a natureza é sagrada. Somos religiões que reverenciamos a natureza”, atestou o Babalawô Ivanir dos Santos.

A Pastora da igreja luterana Luzmarina Garcia, sempre atuante e presente atestou que “A importância dessa caminhada é enorme. Na verdade, nós estamos vivendo uma situação de tanta violência religiosa que precisamos dar um testemunho positivo de que é possível conviver, é possível se respeitar e entender que as diferenças fazem parte de uma sociedade democrática.

“A Caminhada vem se firmando como uma ação inter-religiosa, que busca fortalecer as lutas em prol da tolerância no Brasil. Nos últimos anos, a CCIR vem chamando a atenção da sociedade e das autoridades públicas para o perigo da construção de um estado teocrático em um país constitucionalmente laico como o Brasil”, alegou Ivanir, que vem promovendo ações sociais contra todas as formas de violência. Tendo sido seu trabalho reconhecido – Recebeu em julho, o prêmio International Religious Freedom (IRF). Entregue pelo State Department’s Office of International Religious Freedom, em Washington (USA). Único representante de todo o hemisfério ocidental, o Doutor em História da UFRJ Ivanir dos Santos foi reverenciado pelo Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos pela importância na luta contra a intolerância a praticantes de religiões de matriz africana no Brasil.

A cantora Teresa Cristina, ao lado Grupo Àwúré, arrasaram no microfone. Marcelo Vacite – Presidente da União Cigana do Brasil, prestou homenagem ao pai Mio Vacite (falecido esse ano)  e mandou ver com encantos ciganos. E assim, o ato fechou com um forte cordão fraternal, onde ficou claro que, independente da sua fé, o respeito deve prevalecer!

Saravá, Optcham, Motumbá, Kolofé, Blessed Be, Axé, Aleluia, Amém…

Fotos: Coletivo de Fotógrafos Negros – RJ –  Zezzynho Andraddy / Henrique Esteves / Carlos Junior / Osvaldo Guilherme / Jorge Ferreira / Doglas Morae

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