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Salgueiro apresenta “O Rei Negro do Picadeiro”

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“O Rei Negro do Picadeiro” será o tema da vermelha e branca e homenageará os 150 anos de Benjamin de Oliveira.

Salgueiro apresentou para convidados o tema com o qual tentará levantar título de campeã do Grupo Especial mantendo as tradições de enaltecer e valorizar a temática negra na Avenida. A escola, que já mostrou Zumbi dos Palmares e Chica da Silva , escolheu como protagonista de seu desfile, Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil, quem completaria 150 anos em 2020.

– Enaltecer o negro, elevá-lo a condição de protagonista em seus desfiles sempre foi uma característica forte do Salgueiro e, para o ano que vem, a gente aposta na representatividade para fazer uma grande apresentação. Viemos de dois enredos fortes, com a pegada afro e eu conversei com o presidente que poderíamos trabalhar algo mais lúdico, colorido, leve e que tivesse uma mensagem importante para a atualidade. Chegamos ao Benjamin, um personagem pouco conhecido, pouco reverenciado, mas com uma contribuição imensa para a arte, diz Alex.

No evento, empresários e artistas puderam ter ideia do que a escola levará para a Avenida. Ailton Graça, que já desfila na escola há alguns Carnavais, fez questão de participar da apresentação, representando o personagem central do enredo.

– Recebi a notícia do enredo com uma emoção ímpar porque o Benjamin me inspirou enquanto artista. Fui palhaço, sou ator e, assim que soube da ideia do Alex, já comecei a pensar em mil possibilidades. O mundo precisa conhecer mais esta história, comentou o ator.

Entre as presenças ilustres da festa, Ruth de Souza, seguida por Cosme dos Santos, Nando Cunha, Isabel Fillardis, Val Perré, Poly Marinho e Maria Ceiça celebraram a escolha do tema. Representando Chica Xavier, filhos e genro também prestigiaram a festa que terminou com roda de samba animada por Xande de Pilares tendo a rainha Viviane Araújo tirando o som no pandeiro.

Representando a família do homenageado, neta, bisneta e tataraneto de Benjamin também participaram do evento, acompanhados de representantes da secretaria de Cultura de Pará de Minas, cidade natal do artista.

Dando sequência aos preparativos para o desfile de 2020, o carnavalesco Alex de Souza apresentou nesta segunda, 06 de maio, a sinopse de “O Rei Negro do Picadeiro” para os compositores.

As regras e calendário para a disputa de sambas serão divulgados no site oficial da escola ( www.salgueiro.com.br)

Veja a sinopse abaixo : 

O REI NEGRO DO PICADEIRO

Nasci livre!

Sou filho do “Negro Malaquias”, sujeito danado de brabo, que caçava os “fujão” da fazenda do sinhô e da sinhá, que até eram “bão”. E minha mãe, Leandra, era cativa de estimação.

Um dia o circo chegou lá na Vila 02 , eu levava broa de milho para vender na entrada; tinha uns doze anos e resolvi fugir. O picadeiro representava liberdade, sonho e fantasia. Antes que me esqueça, meu nome é Benjamim Chaves, mas meu pai me chamava de “Beijo”, “Moleque Beijo”.

Parti no Circo Sotero. Lá, a obrigação da meninada, era aprender desde cedo, todas as tarefas. Mesmo eu, que era um agregado, aprendi debaixo de castigo, a cuidar dos animais; todas as acrobacias e outras coisas mais…

“A mãe da arte de todos os números é o salto” e eu dei um salto na vida. Tem que aprender a cair, pra saber levantar.

Aprendi muito com o “Mestre Severino” e adotei seu sobrenome, agora pode me chamar de Benjamim de Oliveira. Mas entre sonho e realidade, vida de “beijo” é difícil, é difícil como o quê… E de tanto apanhar, fugi de novo. Meu destino era fugir, destino de negro…

Fui atrás de uma caravana de ciganos, mas “quá” 03 , “num” é que os “ladino” 04 queriam me trocar por cavalo?

Fugi e fui pego por um fazendeiro, provei que era circense e ele me deixou seguir viagem.

E de circo em circo, substituí o palhaço principal, que estava doente, no Circo frutuoso,
começando aí minha história…

A noite começava a fervilhar nas cidades grandes, eram novos tempos, teatros, café-concerto, a elite buscava o teatro sério e o “Zé Povo”, o que fosse mais ligeiro, encontrava no circo o divertimento que queriam. “Todo artista tem de ir aonde o povo está!”

Minha popularidade crescia, uma vez até o presidente, o marechal de ferro, Floriano Peixoto, por eu cantar e dançar chulas 05 foi lá me cumprimentar 06 .

No Spinelli lancei a forma de teatro combinado com circo que chamariam pavilhão. Comédias, paródias e a arte de representar por gestos, sem palavras. Fizemos clássicos, como Otello 07 ; farsas, melodramas, operetas como A Viúva Alegre 08 , até uma paródia de O Guarani 09 , que acabou projetado nas telas, o cinema surgia na bela época 10.

O primeiro Momo, que seria mais tarde, a representação do “Rei da Folia”, foi pela primeira vez, representado por mim, na minha opereta fantástica O Cupido do Oriente. Assim como inúmeras peças, de minha autoria.

Fui ator, diretor, autor, produtor, dançarino, compositor, cantor (até gravei discos), e palhaço sim senhor!

O PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO DO BRASIL!

E o palhaço o que é? E o que fui? Uai?!
Acima de tudo: Um artista brasileiro!!!

Abram as cortinas, acendam as luzes, que o show tem que continuar! Respeitável público,
minhas senhoras e meus senhores, nessa passarela/picadeiro, o meu querido Salgueiro vai
apresentar: Novos Benjamins do circo, teatro, cinema e televisão, com o aplauso “d’ocês”!

Despeço-me com um “Beijo” do “Moleque” e o meu muito obrigado!!!

Alex de Souza
Carnavalesco

Foto Alex Nunes

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