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11ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa na Orla de Copacabana

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Desde o ano de 2008 a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, vem se firmando como uma ação inter-religiosa, que busca fortalecer as lutas em prol da tolerância no Brasil. Construindo um forte processo de resistência cotidiana contra todas as formas de intolerâncias, preconceitos, descriminação e racismo.

E o domingo, de 16 de setembro, acontece a 11ª Caminhada, onde contará com a participação de diversos grupos culturais, como os Ogãns kotoquinho e Bambala, Padre Marcos Miranda, grupo de dança As de Ouro, Banda Papo de Amigo e outras atrações. Além da ilustre presença do Padre Fábio de Mello, Pastor Kléber Lucas, entre outros.

A Comissão, que tem em seu cerne diversos adeptos religiosos, deverá reunir mais de 200 mil pessoas, em prol da pluralidades, humanidades e liberdade religiosa, dentre representantes do candomblé, umbanda, bases evangélicas, católicos, budistas, muçulmanos, judeus, wiccanos, hare krishnas, ciganos, mórmons e outros segmentos. Representantes de outras regiões também marcam presença, oriundos da Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Amazonas.

Nos últimos dez anos, a CCIR em parceria com o CEAP, vem chamando a atenção da sociedade e das autoridades públicas para o perigo da construção de um estado teocrático em um país constitucionalmente laico como o Brasil.

“Ao longo dos anos – a Caminhada, evidencia e denuncia os violentos casos de intolerância religiosa, que ainda vem crescendo assolando a sociedade religiosa. Não pudemos nos esquecer que a liberdade religiosa é um direito constitucional garantido à todos. A intolerância religiosa é uma verdadeira ameaça ao estado democrático de direito, por isso, precisamos continuar caminhando e dialogando para que juntos possamos construir um estado em que todas as diferenças possam ser o ponto de união e jamais de separação e discriminação”, atesta o Prof. Dr. Babalawô Ivanir do Santos, que é interlocutor da CCIR.

Ivanir é um árduo defensor dos direitos humanos e do direito à liberdade de culto, o babalawô, vem liderando diversas ações em prol da liberdade religiosa no Brasil. Com o objetivo de promover ações sociais contra todas as formas de violência. Dentre os seus trabalhos de maiores ressonâncias, destaque para o livro bilíngue “Intolerância Religiosa no Brasil – Relatório e Balanço”, publicado pelo CEAP, em parceria com a editora Kline, pontuando os casos dos últimos 10 anos de intolerância religiosa no Brasil; o curso Multiplicadores no Combate à Intolerância Religiosa; curso de Pós-graduação em Estudos sobre Pluralidade e Intolerância Religiosa e a criação de grupos de Estudos Sobre História Social da Intolerância na Contemporaneidade, grupo vinculado ao Laboratório das Histórias das Experiências Religiosas (LHER) da Universidade Federal do RJ – (UFRJ).

“Pela sexta vez, a Caminhada pela Liberdade Religiosa, acontecerá às vésperas das eleições. Por isso, precisamos ficar atentos para o atual situação política e social do país. Pois, os retrocessos, pelo qual estamos passando, seja ele político e social, é uma verdadeira ameaça para tudo o que conquistamos nos últimos dez anos de luta em prol do estado laico e da liberdade religiosa. Religião e políticas precisam sempre ser pensadas e discutida, mas nunca sobrepostas!”, Alerta Ivanir dos Santos.

“Precisamos refletir, nos últimos anos, várias propostas, como o Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foram apresentadas pela sociedade civil e pouco foi feito nesse sentido, por parte do poder público, para a diminuição dos casos de intolerância religiosa”, completa Ivanir.

Rememorando – Em 21 de setembro de 2008, milhares de adeptos religiosos, simpatizantes, caminharam juntos em prol da liberdade religiosa no Brasil e pelo fim da intolerância. Evento inter-religioso e talvez o mais significativos para história do Brasil – o reconhecimento histórico das religiões de matrizes africanas. Nascendo assim a CCIR, criada após traficantes de drogas, que se diziam evangélicos, da Ilha do Governador, ZN do Rio, expulsaram integrantes de matriz africana de suas casas. Os bandidos foram convertidos à segmentos neo-pentecostais dentro de presídios e, ao ganharem liberdade, proibiram o “Povo de Santo” de dar continuidade a seus encontros e assistências religiosas.

Em seguida, foi organizado um protesto nas escadarias da Assembléia Legislativa com o intuito de chamar a atenção das autoridades públicas para os casos de cerceamentos das liberdades. Após o episódio, a CCIR agiu novamente, e assim nasceu a 1ª Caminhada, onde reuniu no mesmo ano cerca de 30 mil pessoas. No ano seguinte, em 2009, recebeu 80 mil pessoas. Em 2010, 120 mil pessoas protestaram contra os preconceitos ligados à fé. Já na 4º Caminhada, computou 180 mil pessoas, que aderiram a luta da CCIR. A 5ª Caminhada em defesa da liberdade religiosa, registrou em torno de 150 mil pessoas. Nos anos seguintes, nas 6ª, 7ª, 8ª e 9ª, somou em torno de 150 mil participantes. No ano passado, a 10ª reuniu mais de 100 mil pessoas na Orla de Copacabana.

11ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa
Dia: 16 (domingo) de setembro – Das 11h às 18h
Local: Orla de Copacabana
Grade da agenda: 11h – Concentração no Posto 6 – Esquenta com apresentação de diversos seguimentos religiosos, com o início da Caminhada, a partir das 13h, acompanhada de trio elétrico, que segue até Praça do Lido, com atrações e cantorias. Finalizando às 18h

Em tempo:
– Estações de Metrô para o evento: Siqueira Campos, Cardeal Arcoverde e Cantagalo.
– Será coibido o uso de bebida alcoólica.
Comissão de Combate à Intolerância / CCIR
Centro de Articulação das Populações Marginalizadas / CEAP

foto: Henrique Esteves

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